O Amor é a única doença transmissível pelo olhar...

Sobre a História

Está tudo ainda muito cru. Mas também, só passaram 3 dias desde que comecei a escrever o texto. Fiz duas revisões e postei. Agora que o leio parece-me cru. Vou fazendo alguns acertos mas de resto, não há muito que possa alterar.

Memorial de Cicatrizes


Gosto de cicatrizes. Gosto de olhar para as minhas cicatrizes e recordar como as fiz. Acho que são mais ou menos como as tatuagens mas mais intimistas. Enquanto que as tatuagens são, na maior parte das vezes, para exibir, as cicatrizes são pedaços de memória escritos no corpo.

Tenho uma pequena cicatriz no lábio que quase não se vê. Nos dois lábios até, assim feita de cima para baixo. Foi feita pela garra de um pastor-alemão quando eu tinha nove anos. Ia a caminho da explicadora quando um pasto-alemão adulto me atacou. Também me deixou uma cicatriz feita com os dentes. Essa cicatriz quase não se vê. E é mesmo em baixo do olho esquerdo... Dois centímetros mais acima e eu tinha ficado sem um olho. Agora que penso nisso... É mesmo estranho. Eu como me conheço poderia não existir. Mas gosto da cicatriz no lábio. Quando vista ao perto dá-me um ar de Robert DeNiro.

Quando tive o meu primeiro desgosto amoroso... bem, foi há muito tempo mesmo. Lembro-me de, entre outras coisas ter pegado numa faca e feito um corte no braço. Não tive de levar pontos por causa disto mas ainda tenho a cicatriz. Tenho pensado em fazer isso de novo... Quem sabe. Já não tinha um desgosto destes há anos.

Bem, adiante. A vida continua.
Com muitas cicatrizes por fazer...

Verónica e Alice

Tento distrair-me de tudo. Porque o passado deixou raízes que vão ser difíceis de arrancar. Volto a pensar na escrita, a minha outra paixão. E volto a uma ideia antiga que risquei num guardanapo de café há algum tempo - duas personagens. Não consigo parar de pensar nelas até porque não quero pensar em mais nada: Verónica e Alice.
Lembrei-me dos nomes há algum tempo e comecei a imaginar uma história ou um passado para cada uma delas: Imaginei Verónica como uma sedutora vampira - o diabo em mulher. Aquela que todos desejam mas temem. Imortal e eternamente jovem, tem como castigo viver nas trevas. - porque haveriam a beleza e a imortalidade serem dadas sem algum sofrimento em troca? Parece-me uma personagem incrível! Acho que vou tentar escrever algo com ela.

Depois há Alice.
Alice nunca cresceu. Ela morreu aos oito anos de idade. Numa manhã enevoada de outono os pais acordaram sem saber onde estava a filha. Quando saíram à rua e encontráram-na enforcada numa árvore - o seu corpo pequeno e franzino a balançar pendurado por uma corda ao sabor do vento. - Tenho me deliciado com esta ideia. A de criar uma personagem em tudo adorada e depois, záaaaaaas! Matá-la!

Parece-me deveras divertido...

Injecção de Veneno

Não sei como começar, a sério que não sei. Por isso começo por dizer que não sei começar, para me redimir. Muitas vezes bloqueio quando vou escrever porque não sei como começar. Acho que é mesmo o mais difícil porque depois o texto passa a encaixar-se a partir daquele primeiro tijolo e as ideias passam a fluir numa torrente inesgotável.

Mas vou deixar essas reflexões para depois.
Bem, lá vai: chamo-me Paulo Montenegro e este é o meu primeiro blogue "sério". Quero mante-lo por muito tempo e tenciono usá-lo como diário e como meio para divulgar as minhas histórias, os meus contos - que tanto gosto de escrever - e os meus poemas que apesar de poucos e superficiais são uma nova faceta minha que quero explorar.
Adoro escrever. Adoro ver as letras a formar palavras e depois longas histórias. Adoro ficar a noite toda a cordado a ler um bom livro. Ou melhor, a ler uma boa história. A minha profissão de sonho é ser escritor, algo que almejo muito em breve se a inspiração assim o permitir e alguma editora atrevida o deixar.

Estou a iniciar este blog um dia depois de algo horrível me ter acontecido: Um dia depois de romper quase todos os laços com a pessoa que mais amei desde à muito tempo. É algo que deixou feridas que dificilmente vão sarar e um grande golpe no meu optimismo em relação ao mundo. Gostava de ser feliz ao lado dela mas como sempre algo correu mal.
A minha má sorte persegue-me.
Devo ter sido amaldiçoado em pequeno.

Tenho pena de não poder começar este blogue mais optimista. Queria encarar o futuro com mais luz e com esperança de mudar tudo à minha volta e a mim mesmo também, através do meu sonho de escrever a tempo inteiro. Mas...
Há sempre um "mas".
É com uma lágrima no canto do olho que digo - Olá.