O Amor é a única doença transmissível pelo olhar...
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As Linhas de um História

As Linhas de uma História

Uma história começa com um evento inicial e prossegue seguindo as suas ramificações, até uma grande conclusão ou então até conclusões separadas. No romance A Manopla de Karasthan, de Filipe Faria, a história começa com o sair de casa do jovem príncipe Aewyre Thoryn, e a sua partida para a aventura por um mundo vasto, sem motivos ou implicações. A história começa por começar.

Já em A Irmandade do Anel, Frodo Baggins parte porque tem de partir. Parte contra a sua vontade porque guarda um grande mal que pode condenar todos á sua volta. Este também é um bom motivo para iniciar uma história: A Perseguição.

Pois bem, no meu conto sobre Alice o motivo é outro. Ou melhor, não é nenhum. Pois a acção gira toda em volta de Alice e ela não passa de um figurante que se tornará vitima de acontecimentos maiores.
A morte da menina serve de pretexto para narrar o antes e o depois.

De momento estou á procura de um motivo para um outro projecto meu. Daí não ter ainda revisto o conto sobre Alice. Trata-se de uma história que iniciei há um ano. Algo maior que um conto e portanto muito mais difícil. Mas... se fosse fácil não teria graça nenhuma.

Também estou a pensar unir o conto de Alice a um outro, mas cada coisa será feita a seu tempo. Agora quero é inspiração, amor e sangue.

Paulo Montenegro

Verónica e Alice

Tento distrair-me de tudo. Porque o passado deixou raízes que vão ser difíceis de arrancar. Volto a pensar na escrita, a minha outra paixão. E volto a uma ideia antiga que risquei num guardanapo de café há algum tempo - duas personagens. Não consigo parar de pensar nelas até porque não quero pensar em mais nada: Verónica e Alice.
Lembrei-me dos nomes há algum tempo e comecei a imaginar uma história ou um passado para cada uma delas: Imaginei Verónica como uma sedutora vampira - o diabo em mulher. Aquela que todos desejam mas temem. Imortal e eternamente jovem, tem como castigo viver nas trevas. - porque haveriam a beleza e a imortalidade serem dadas sem algum sofrimento em troca? Parece-me uma personagem incrível! Acho que vou tentar escrever algo com ela.

Depois há Alice.
Alice nunca cresceu. Ela morreu aos oito anos de idade. Numa manhã enevoada de outono os pais acordaram sem saber onde estava a filha. Quando saíram à rua e encontráram-na enforcada numa árvore - o seu corpo pequeno e franzino a balançar pendurado por uma corda ao sabor do vento. - Tenho me deliciado com esta ideia. A de criar uma personagem em tudo adorada e depois, záaaaaaas! Matá-la!

Parece-me deveras divertido...