Desespero
- Paulo, precisamos de ti!
Cruz
- Também é bom, mas gosto mais de Sandeman...
Céu
Semana passada pensei: "será que o céu existe?" A resposta foi "sim, existe. Os aviões andam por lá."
Game Boy
- A vida podia ser como um videojogo: gravávamos quando tivéssemos sucesso. E assim se as coisas corressem para o torto voltava-se a trás.
Candeeiro
- Clique duas vezes para desligar.
Rico
- Gostava de morar na IKEA.
Teso
Não se pode ter tudo. Prova disso foi eu ter nascido bonito em vez de rico...
Multiculturalidade
- É bom para quem gosta de M&M's. Mas para quem só come chocolate de leite, estraga o ambiente todo.
Suicídio
- E aqueles cromos do Millenium ainda pensam que me podem sugar o dinheiro todo...
Desejo
- Quando tiver oitenta anos gostava de morrer novo...
Medo
- Estará alguém atrás de mim...?
Pensamentos do Montenegro
Escrito por
Paulo Montenegro
às
7:42 p.m.
3
biscoitos
a vontade do querer
onde estavas quando desliguei a luz?
queria ter visto o brilho dos teus olhos antes de fechar os meus,
desejar boa-noite como quem pede desculpa
dar a mão por entre um beijo demorado,
e naquele vazio preenchido por coisa nenhuma
queria sentir-te adormecer ao meu lado.
Esta manhã procurei-te e não te vi;
onde estavas quando o sol nasceu?
queria ter olhado o teu rosto e morde-lo ao de leve;
abraçar o teu corpo fundindo-o no meu,
reafirmar que ainda sou teu,
apertar-te desajeitadamente como não se deve,
dizer-te ao ouvido como és bela,
lembrar-te que o primeiro a beijar não fui eu
e dar um beijo mal dado nos teus lábios maçã-canela;
agradecer-te por me fazeres sentir como nunca senti,
pouco me importando das vezes em que és neve,
saboreando cada lembrança em que foste chantilly,
mas peço desculpa se ocupo o teu tempo,
ou se alguma vez atenção a mais te pedi,
perdoa-me por te pesar no relógio
mas todas as noites são tristes sem ti.
Escrito por
Paulo Montenegro
às
4:59 a.m.
2
biscoitos
S a m a e l - Um de Nós
I
Um de Nós
«... – Louco! As vozes que ouves são das almas que roubas-te!...»
Algures nas catacumbas de uma igreja; noite.
Os cânticos entoavam nas paredes de pedra da antiga igreja embora ninguém naquele templo ousasse abrir a boca. Os presentes olhavam em redor boquiabertos embora sem motivo, julgou Verónica. Se tivessem vivido duzentos anos antes teriam presenciado aquela cena por diversas vezes, embora em circunstâncias diferentes.
Eles eram doze. Verónica liderava-os e eles rodeavam-na no altar onde jazia o corpo do morto, pálido e rijo. Ela gesticulava por efeito dos gazes que o alquimista preparara. Este, estava acocorado num canto daquele templo tremendo e temendo os acontecimentos que acabara de desencadear.
- Vem! – gritou Verónica e todos se voltaram a concentrar nela. Abriu os braços e ergueu-os para o céu – passara muitas noites a ensaiar aquele ritual. Tanto tempo perdido que poderia agora ser recompensado. Os últimos anos tinham sido uma tortura constante: Primeiro a prisão do seu amado Carlos que fora levado para as montanhas do Gerês. Depois a desintegração do seu clã por falta de liderança. Seguidamente, a vergonha de ser uma vampiro sem clã nem tutor. Entregue a si mesma num mundo onde até os imortais começavam a criar laços de fraternidade. –por todo o lado, novos clãs nasciam para proteger os seus membros naquele mundo cheio de perigos. Ela, no entanto, estava sozinha.
Até agora.
Vários anos de procura e peregrinação pela europa deram-lhe o conhecimento que faltava. As lições do alquimista deram-lhe a técnica que precisava e aquelas onze almas solitárias deram-lhe a ambição de se erguer de novo, mais alta que os seus semelhantes.
Os cânticos continuavam, cada vez mais alto.
Um dos presentes exclamou:
- Isto é de loucos! – e todos olharam para ele. – Parece que o céu se aproxima de nós! Quem canta?! De quem são estas vozes..?
O alquimista falou alto para o altar:
- Louco! As vozes que ouves são de todas as almas que roubas-te!
» Cada um ouve as suas vozes. E espera porque elas vão parar de cantar. E então falaram contigo...!
- Calem-se! – ordenou Verónica, de braços pousados no altar e cabeça baixa. Os gazes que emanavam do cálice de prata pareciam ter desaparecido. Ela olhou em volta para todos aqueles vampiros que a rodeavam; Os seus olhos tinham perdido a cor e estavam brancos. – Sinto que o perdi. Ou... que nem sequer o alcancei...
Todos os presentes entreolharam-se.
As vozes começavam a cessar para alegria de alguns mas a maioria ficou confusa por tudo desaparecer tão depressa. «Já acabou...?», interrogaram-se. De todos o alquimista parecia o mais aliviado.
- E agora? - perguntou alguém.
Verónica suspirou, pensativa.
- Agora dispersamos e voltamos para o nosso sono antes que amanheça. Amanhã reunimos no mesmo local á mesma hora e aí decidiremos o que fazer.
Todos pareceram receber bem a ordem. O Alquimista, vendo que o perigo já passara e suspirando de alivio aproximou-se do grupo. Era um homem velho e de aspecto franzino. De rosto muito enrugado, sem um único cabelo ou pelo na cara.
- Perdoe-me Verónica, mas que fazemos com o corpo deste jovem...?
Todos olharam para o corpo pálido no altar. Aquele fora um grande vampiro, em tempos antigos. Contava mais de mil anos desde que fora destruído mas o seu corpo fora conservado por alquimistas desse tempo. O corpo fora mantido como um tesouro e passado de mestres para aprendizes até Verónica e o velho alquimista Joseph o roubarem á Ordem de Milão, a sua penúltima morada. Agora jazia ali, em frente deles. Dentro de pouco tempo desintegrar-se-ía, bem mais depressa que é habitual um corpo desintegrar-se.
- Deixem-no aqui – disse ela. – Dentro de algumas horas só restará uma massa viscosa e nada mais. Ele não é problema.
Começaram então a sair do templo, um a um. Até ficar apenas Verónica e o velho alquimista.
- Reconsiderai! – suplicou ele. – Este corpo é um tesouro antigo que deve ser mantido. Quem sabe podemos usá-lo no futuro...
- Não podemos usá-lo, Joseph. Ele não quer.
- Ele...?
- Sim, ele não quer.
O alquimista ficou pasmado. O seu olhar saltava entre o corpo e aquela mulher vampiro. – Falou com ele...?
Ela começou a caminhar por entre os candelabros.
- Vi muitas coisas, Joseph. Mas não falei com o dono do corpo. Falei com outra pessoa. Alguém maior que ele.
» Disse-me que queria sair. Que estava cansado daquele lugar. Que aguardava há milénios por uma fuga. Disse-me que era um anjo e um demónio. Disse ser superior a um querubim mas inferior a um serafim.
- Não vejo quem possa ser... – confessou o alquimista. – Deve ser um anjo caído, se é que existe realmente algum. Duvido que fosse o próprio Lúcifer.
Verónica fixou o corpo sem vida. O seu olhar melancólico e desapontado entristecia até as estátuas dos santos. Quase que o trouxera de volta. Quase! Não fosse aquele maldito demónio meter-se no caminho... Suspirou profundamente embora não precisasse de facto de o fazer. Observava o rosto do jovem. Era belo. Tão belo como fora mil anos antes. Foi mais que qualquer outro vampiro, desde Lilith. Se o tivesse conseguido trazer de volta possuiria uma chave que abriria todas as portas. Nada poderia temer com semelhante aliado. Agora voltara ao zero. Na noite seguinte pensaria no que fazer. Voltou as costas ao altar e caminhou pelo tapete vermelho da igreja. Seguida pelo velho. Por fim, bateram a porta num estrondo ensurdecedor.
Escrito por
Paulo Montenegro
às
6:20 p.m.
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biscoitos
Dia de Sol

Hoje chove. Mas está um dia muito bonito. Acordei particularmente feliz, não sei bem porquê. Ou melhor, sei. Mas não interessa.
Lá fora ouço carros, que vejo da varanda. Não são muitos. Talvez por ser Carnaval há menos gente na rua (estão a curar-se das bebedeiras de ontem, eh-eh) ou então é apenas por ser feriado. Hoje trabalho e ganharei a dobrar.
Tenho pensado muito e cheguei à conclusão que tenho de mudar de emprego quando possível... pelo menos até à Páscoa. Ou até ao Verão. Neste não conseguirei trabalhar e estudar. também tenho de mudar de quarto, para um mais espaçoso e barato. Embora até goste muito deste. E também tenho de acabar algumas coisas que comecei a escrever. Depois não terei tempo. E acabar de tirar a carta de condução - sim, isso também.
E tenho e fazer um bolo de chocolate. Apetece-me bolo de chocolate... Acho que vou á rua comprar um bolo... hm... chocolate... Para quem anda no ginásio a tentar ficar um Tom Cruise, acho que não convem comer chocolate... mas é tão bom... Acho que vou cometer um pecado...
Parece que vou escrever o argumento para um filme. Nada mau. Tendo em conta que não temos material, não temos actores, não temos cenários nem dinheiro, estou optimista. Concorreremos no Fantasporto do ano que vem :)
Foi um dia agitado, desde que acordei. E ainda está a ser. Parece que a minha ex- descobriu o blogue e anda a bisbilhotar (olá Filipa). Pelo menos está a ler, o que é sempre bom. Continuando: O dia foi agitado. O ginásio está fechado. Eu estou cansado e há barulho aqui ao lado... a continuar a rimar assim vou acabar em rapper...lol. Bem. Coise e tal...
Escrito por
Paulo Montenegro
às
3:47 p.m.
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Meu pequeno grande mundo

Eu sou o centro. Eu caminho e o mundo gira, e eu não saio do sitio onde estou. Tudo se move consoante a minha vontade. Se eu quiser fazer a água em vinho, eu faço. E em groselha também. Eu sou divino e todo poderoso. É para isso que ando no ginásio.
Todos os dias, milhares de pessoas com o ego inflamado saem á rua julgando-se melhores que os outros. Muitas delas encarnam essa personagem egocêntrica de tal maneira que acabam por se confundir com ela. Mas quando voltam a casa, longe dos olhares daqueles que iludem, continuam a ser os mesmos nadas, vazias por dentro.
Eu , porque eras a que eu mais amava
Tu, porque eu era o que te mais amava
Contudo, de nós dois tu perdes-te mais que eu
Porque eu poderei amar outras como te amei a ti
Mas a ti não te amarão como te amei eu"
Escrito por
Paulo Montenegro
às
12:52 p.m.
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